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Incontinência Fecal: causas, diagnóstico e tratamento.

É uma condição mais comum do que se imagina e tem tratamento, mas ainda é pouco relatada aos médicos por vergonha.

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Dra. Marília Marcelino
Dra. Marília MarcelinoColoproctologistaCRM-SP 170373 / RQE 69951

O que é a incontinência fecal?

Incontinência fecal é a dificuldade de controlar a saída de fezes ou gases, podendo variar de um leve escape ocasional até a perda completa do controle esfincteriano.

As causas podem envolver músculos, nervos e o próprio intestino.

  • Lesões no esfíncter anal por parto, cirurgia ou trauma
  • Diabetes e doenças neurológicas
  • Diarreia crônica ou doenças inflamatórias intestinais
  • Envelhecimento da musculatura pélvica
  • Radioterapia pélvica prévia

A avaliação considera a intensidade e o impacto na rotina.

A consulta inclui histórico detalhado, exame físico e, conforme o caso, exames complementares como manometria anorretal, que avalia a força e o funcionamento do esfíncter, e ultrassom endoanal, que avalia a integridade muscular.

O tratamento é definido de acordo com a causa e a gravidade.

Pode incluir ajuste de alimentação e hábito intestinal, medicações para regular a consistência das fezes, fisioterapia do assoalho pélvico e biofeedback. Em casos mais específicos, procedimentos cirúrgicos para reconstrução do esfíncter podem ser indicados.

Você não precisa conviver com esse constrangimento.

Muitos pacientes adiam por anos a conversa sobre incontinência fecal. Quanto antes o assunto é trazido à consulta, mais cedo é possível iniciar o tratamento e buscar mais qualidade de vida e autonomia no dia a dia.

Entender como e quando os escapes acontecem faz parte do diagnóstico.

Durante a avaliação, é importante descrever se a perda envolve gases, fezes líquidas ou sólidas, com que frequência ocorre e se existe urgência para chegar ao banheiro. Partos, cirurgias, radioterapia, doenças neurológicas e mudanças no hábito intestinal também ajudam a compreender a possível origem do problema.

Essas informações permitem avaliar não apenas a musculatura do esfíncter, mas também a consistência das fezes, a sensibilidade retal e o funcionamento do intestino como um todo. Os exames são indicados conforme essa primeira avaliação, e não de forma automática.

O cuidado pode ser ajustado conforme a resposta de cada pessoa.

A melhora costuma ser acompanhada ao longo do tempo, observando a frequência dos episódios e o impacto na rotina. Se medidas clínicas e fisioterapia não forem suficientes, a investigação pode ser revista antes de considerar outras opções. O objetivo é construir um plano possível para a realidade do paciente, com privacidade, explicações claras e decisões compartilhadas em todas as etapas.

Perguntas comuns sobre esta condição.

Incontinência fecal tem tratamento?

Sim. A maioria dos casos melhora com tratamento clínico e fisioterapia do assoalho pélvico; casos mais específicos podem ter indicação cirúrgica, avaliada individualmente.

Incontinência fecal só acontece em idosos?

Não. Pode ocorrer em qualquer idade, especialmente após lesões do parto, cirurgias anais ou doenças que afetam o intestino ou os nervos da região pélvica.

É normal ter vergonha de falar sobre isso?

É uma reação comum, mas não precisa impedir o cuidado. A consulta é conduzida com total discrição e sem julgamento, para que o assunto possa ser tratado com a naturalidade que merece.

Converse sobre os seus sintomas com acolhimento e clareza.

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